É melhor investir no exterior em empresas pagadoras de dividendos ou com foco em crescimento?

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Os investimentos em ações de dividendos ou crescimento fazem parte de duas escolas de investimento distintas, que independem de estarem localizadas no Brasil ou no exterior. Como o mercado americano de tecnologia é muito mais desenvolvido que o brasileiro, acaba que essa discussão normalmente está ligada a ativos estrangeiros, especialmente na bolsa americana ou nos mercados asiáticos.

Empresas de Dividendos

Normalmente as empresas pagadoras de dividendos são companhias que estão posicionadas em mercados mais maduros, com menores oportunidades de crescimento, e acabam optando por distribuir parte de seus lucros para os acionistas ao invés de investir em novas oportunidades de negócio.

Empresas de Crescimento

Já as empresas de crescimento, se encontram no espectro contrário. Estão posicionadas em mercados menos desenvolvidos, algumas não possuem lucro e acabam investindo todo resultado em mais crescimento. Uma empresa de crescimento ao longo do tempo, tende a se tornar uma empresa de dividendos.

Em qual tipo de empresa devo investir?

É bom destacar que na prática nem sempre conseguimos caracterizar uma companhia como totalmente de dividendos ou de crescimento, mas normalmente ao observar empresas percebemos que esse amadurecimento é um processo natural que ocorre ao longo de um período longo de tempo.

Por isso, não existe uma taxa ótima a que você possa considerar uma companhia ser de crescimento ou não. Mas normalmente quando nos referimos a esse termo estamos falando de algo como pelo menos ~30-40% de crescimento ao ano. Mais recentemente as empresas de crescimento têm sido associadas aos setores que envolvem tecnologia, onde essas taxas de crescimento acabam sendo mais facilmente replicadas ao longo dos anos dada a natureza do negócio.

O leitor mais apressado já deve estar se perguntando: “ok, mas em qual delas eu invisto?”. Normalmente, uma boa decisão de investimento deve estar balizada em uma ótica de negócio e de preço. Isto é, um ativo bom, a um preço caro, pode se tornar um investimento ruim. E o inverso também é verdadeiro. A busca tem que ser sempre por bons negócios a preços atraentes. Já adiantamos que isso depende da análise caso a caso.

Em uma análise rápida dos múltiplos preço-lucro das empresas de crescimento em relação a empresas de dividendos, as ditas empresas de crescimento podem ser consideradas mais caras em quase todas as métricas, conforme explicado em figura abaixo. Acontece que essa análise normalmente envolve o lucro gerado pelo ativo nos próximos 12 meses, e não quanto ela vai gerar no futuro em um horizonte de 5-10 anos, onde fica muito mais difícil fazer uma previsão precisa.


Mesmo sabendo que elas são mais caras hoje, será que o negócio que ela está inserida é bom? Ou melhor, o que é um bom negócio? Em nossa visão, o bom negócio é aquele que possui altas taxas de crescimento em uma janela de pelo menos 5-10 anos e possui barreiras de entrada razoáveis que permitirá a sustentação de margens de lucro no futuro.

Hoje, quando olhamos o setor de tecnologia por exemplo, muitas das empresas com produtos inovadores preenchem todos esses requisitos, e por isso, as empresas de crescimento chamam tanta atenção dos investidores. Mesmo um pouco mais caras, o crescimento futuro e dificuldade de replicação de alguns negócios com vantagem competitiva relevantes acabam atraindo capital em busca de remuneração maiores.

A resposta, para nossa pergunta inicial, no entanto, ainda não é óbvia. As empresas de crescimento, em sua grande maioria, apresentam diversos riscos de execução, o que faz qualquer pequeno escorregão da empresa refletir de forma dura nos preços dos ativos. Uma carteira balanceada, e buscando boas relações de risco/retorno deve possuir, portanto, um equilíbrio entre crescimento e dividendos, dependendo do apetite de risco do investidor.

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